domingo, 8 de dezembro de 2013

Inverno Eterno

Sento no mesmo lugar que costumo permanecer em silêncio quando venho ao parque, isso já se repete a mais ou menos 9 anos, sempre apreciando a mesma paisagem através do tempo e nunca me esquecendo de ver as mesmas pessoas que ali caminham, sentam, conversam, namoram, brincam e dão gargalhadas.
É, acabei me tornando um adulto meio solitário, meu psiquiatra diz que criei uma barreira para melhor me proteger e acabei "trancando" minhas habilidades de comunicação e socialização por causa do "trauma" que sofri. Parece que ser traído pelos amigos e ser apunhalado pelas costas juntamente da descrença que a minha família pôs sobre min pode ser chamado de "trauma".
Tudo começou quando eu ia a escola, um garoto que não estava gostando da minha "transformação" pelo fato de eu estar mais feliz e me expressando mais, decidiu colocar uma erva na minha mochila e comunicar o feito para a diretora, a partir disso eu não me lembro mais de ter uma vida. Lembro dos meus amigos terem me exilado do ciclo deles, do meu pai que me deu um soco no meio do meu rosto e da face da minha mãe e dos meus irmãos me olhando com nojo. Quando fugi de casa e corri para a casa da minha Tia Avó a mais ou menos 500 quilômetros de distância, tudo começou a tomar seu rumo, as pessoas da escola descobriram o que o garoto fez e ele acabou tendo o mesmo sofrimento que eu, meus amigos me procuravam desesperadamente para se redimirem mas eu já havia desaparecido, lembro da minha família ligar milhares de vezes, mas minha Tia Avó estava muito irritada com meu pai e nunca deixava ele falar comigo, nem mesmo eu queria ter mais contato com eles, ela me contou que meus irmãos estavam chorando todos os dias e minha mãe também e disse que era uma questão de tempo até eles decidirem aparecer lá. Foi quando eu e ela decidimos sobre a minha ida a França, no início era para ser algo apenas temporário, porém, ao me apaixonar pela cidade de Paris decidi ficar e lá me formei em História. Trabalhava na faculdade, e era sempre uma pessoa bastante quieta. Achei melhor frequentar o psiquiatra que era um professor muito bom da faculdade aonde me formei e ele desvendou minha mente muito rápido, porém eu era muito bom em ver o olhar de pena que ele vivia escondendo de min em nossas seções.
Desde então eu passo alguns momentos naquele parque, telefono para minha Tia Avó uma vez ao mês e de vez em quando, ela me dá alguma notícia da minha família, mas nunca mais consegui me importar. Ela me disse que eles acabaram descobrindo que eu fui para a Europa, mas ela disse que iria levar o segredo do nome da cidade junto dela para o túmulo quando morresse, eu só ria quando ela repetia essa frase, e mesmo assim eu sempre notava que ela vivia dizendo isso para ouvir minha risada ou para me imaginar rindo enquanto eu exitava em responder, acho que até ela tinha aquele mesmo olhar do psiquiatra, mas eu também percebia isso nela.


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