Acordo sentindo algo muito estranho em uma noite muito estranha ao lado de alguém mais estranho ainda. Via na cama uma pessoa que foi capaz de remover a dura pedra a qual eu tanto tive trabalho para colocar no caminho que meu coração queria seguir. Fugi todas as vezes que sentia algo e prometi à mim mesmo que não amaria, contudo a pessoa que se encontrava ao meu lado era a prova viva de que eu havia falhado.
Ódio e amor eram sentimentos reais que eu sentia por ela. Ódio por ter feito com que eu falhasse e amor que me impedia de expressar totalmente o primeiro sentimento. Estava eu ali, uma vítima querendo ser vítima e ao mesmo tempo sem escolha alguma para se tornar o predador.
O tempo passava e a coragem de me rebelar com a criatura que me fez sentir o tão terrível amor começava a se esgotar, pois parecia que a cada sorriso, a cada beijo, a cada abraço eu perdia o duro rancor que me salvara todos esses anos das terríveis pessoas que haviam participado do meu sofrimento.
Havia decidido contar toda a minha história para o ser que havia me transformado na esperança dele ver o dano que havia causado, mas após longos trinta minutos o mesmo sentimento de amor e ódio havia surgido nos olhos dele. Ódio por eu ter escondido por tanto tempo o sofrimento que fora responsável pela minha primeira e deformada metamorfose, e amor por sentir-se responsável por mim, aquele o qual estava ali apresentando medo e desenterrando toda a tristeza que havia guardado durante tanto tempo.
Lágrimas de liberdade escorriam pelo meu rosto, um abraço inesperado surgiu da criatura e uma sensação de infinito explodiu dentro de mim que fez com que eu percebesse que não era em uma prisão que aquela pessoa me mantinha, e sim no grande palácio que seu coração representava.
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